sábado, 16 de maio de 2015

Abstrato

Recebi uma tela já rabiscada e pinceis para tentar cobrir os rabiscos que nela existiam, a tela tinha cores alegres mas um fundo de cor fria, uma mancha e pequenos rasgões, eu tentei fazer os remendos, e usei o vermelho do meu sangue pra tentar inibir a parte fria da tela e dar a ela um pouco mais de alegria, mas ela ainda parecia sem vida. Peguei meu coração e pus nela e pude ver uma cor que não era cor, um remendo feito sem cola nem linha, pois tudo isso era abstrato, tudo isso era Amor. Cuidei daquela tela como da minha própria vida, afinal de contas ela era uma parte vital de mim. Mas o tempo passou e seus efeitos começaram a danificar a tela frágil de tantos remendos, e os rasgões voltaram a aparecer, o vermelho do meu sangue se misturou aos tons frios, os rabiscos se sobressaíram e só o que restou foi o coração que continuou a bater, ora esperançoso, ora desenganado, mas sempre com o abstrato do que sobreviveu a isso tudo. O Amor. Assim é a tela da nossa vida.


Kadu Oliveira.

sexta-feira, 1 de maio de 2015

Silêncio!



Calar! Calar é a palavra de ordem. ''Quem cala consente!'' Quem fala sente, sente as consequências, as indecências, as indulgencias. Calar e falar é o intercalar de uma reação. Quem fala provoca, quem cala atiça, aguça curiosidade, desejo, vontade. Quem fala é ousado, quem cala é sábio. As palavras podem ferir, podem confundir, palavras são desordeiras e não percorrem linha reta, mas o silêncio é traiçoeiro, atinge o mais profundo da mente e da alma, caminha devagar, e continuamente. É menos infeliz aquele que odeia com palavras do que aquele que ama com silêncio. A palavra constrói, o silêncio destrói.

Kadu Oliveira


segunda-feira, 20 de abril de 2015

#SURTADOS: O conto de fadas que sua mãe preferiu não contar.

Neste sábado dia 18 de abril de 2015 a AABB - Associação Atlética do Banco do Brasil recebeu a peça de teatro SURTADOS: O conto de fadas que sua mãe preferiu não contar. 

Escrit
Escrita e dirigida por Kadu Oliveira, SURTADOS é uma comédia teatral baseada nas estórias de Branca de Neve e Cinderela. A peça é resultado da mistura desses dois contos trazidos ao palco de maneira bem diferente dos originais, onde há ainda a presença de bordões e cenas muito conhecidas como do seriado Chaves e do próprio teatro fazendo referência ao clássico Romeu e Julieta de Shakespeare. Surtados é uma peça atual que brinca com o uso das tecnologias, redes sociais e o cotidiano de maneira engraçada e leve.

Na estória Branca de Neve (Yasmin Adla) não aguenta esperar pelo homem perfeito, o tal Príncipe Encantado e resolve atacar o primeiro que aparecer pela frente, ela só não esperava que justo o homem mais feio do reino fosse a sua maior chance de desencalhar. Ele é Yuri Nando (Islan Santos) a versão masculina e piorada da Cinderela, que com a ajuda de seu Fada Padrinho (Kadu Oliveira) vai tentar conquistar o coração de Branca, que ainda terá que enfrentar sua maior rival a Rainha e Madrasta Má (Anizia Santana) que juntos ela e seu Espelho Mágico (Matheus Frota) farão de tudo para destruir a princesa. Mas como em todo conto de fadas, o encanto acontece. Em SURTADOS ele vem com a chegada da Princesinha Aurora (Juny Maria) que traz toda sua beleza e fofura para essa louca confusão.
























quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Saudosismo

E de repente nos pegamos fazendo uma viagem a lugares e momentos que nos marcaram através dos sentidos, como o cheiro de infância na escola, um cheirinho que se mistura com o dos materiais escolares, o álcool das tarefas passadas no mimeógrafo, o doce do suco de morango nas lancheiras e o cheiro de escola que talvez fosse a junção de todos esses cheiros e outros mais. E como não sentir-se saudoso com o cheiro de fumaça das fogueiras que nos remete ao tempo em que a festa junina era a época mais gostosa e divertida do ano, os trajes xadrez e florido, o chapéu de palha e as calças jeans com remendos, os bigodes falsos feitos com tinta ou lápis hidrocor, a quadrilha junina que era o ponto alto da festa, (particularmente me deixava imensamente feliz, dançar quadrilha era como ganhar um brinquedo, era o auge da alegria) as comidas... Nossa! O milho nunca foi tão gostoso quanto na infância, aliás, nada foi tão gostoso quanto na época da simplicidade, onde só precisávamos nos preocupar pra não sujar a roupa nova na hora de brincar, onde brinquedos falavam, onde o medo era irreal, onde ser feliz era fácil. Quem nunca ouviu uma música que nunca parou pra cantar mas que ouviu muitas vezes quando era criança e hoje quando toca cantarola e diz: ‘’Eita! Essa é antiga’’. Tem a música que não sabemos porque mas nos faz sentir saudade de algo que nem sabemos o que é, tem música que nos faz sorrir e parar pra reviver momentos, tem música que buscam um vazio dentro de nós e o torna ainda maior. Encontrar um objeto antigo e sentir seu material ou ver uma árvore que fez parte das brincadeiras, até mesmo o chão, uma parede, um lugarzinho que se salvou da destruição das pessoas ou do próprio tempo, ter nas mãos um brinquedo antigo ou o pedaço de algo que restou de um desastre, rever uma imagem de um desenho animado da tv, uma série ou mesmo uma foto nos causam sensações gotosas de momentos únicos.  Sempre teremos algo pra nos fazer pensar que a vida é curta e o tempo passa depressa e junto com ele passam certas coisas que vão deixando seus pedaços em algum lugar dentro de nós, que nos causam angústia ou alegria. Porém melhor do que pensar no que teve é cuidar do que tem, melhor do que chorar por ter tido e perdido e ter e preservar. É melhor não deixar o que tem se quebrar, mas se quebrar tente colar e tenha cuidado redobrado, sentir saudade é bom, ter sempre presente é melhor ainda.

''Kadu Oliveira''



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Medo

Tenho medo do mundo, do fundo e dos pensamentos desenfreados, tenho medo das palavras, do silêncio e do que pode ser pensado, tenho medo do medo de tudo que tenho medo, tenho medo do que perdi e do que foi achado. O medo não me faz mais fraco nem tão pouco mais forte, o medo me torna pensativo, o pensamento me torna temeroso e o temor me faz pensar e pensar me faz medroso. Não quero me deixar levar pelo que me atormenta nem me atormentar com o que levo, quero apenas sobreviver e viver, não mais com medo, não mais temeroso, apenas pensativo não mais um medroso, apenas intuitivo, apenas um curioso.
                                                                                                      [Kadu oliveira]